Entrevista com a professora Marili das Graças Vieira Teixeira

 

 

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Festival da Pontuação – Apresentação elogiada na época, realizada pela professora Marili e suas colegas.

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Formatura do Magistério de 1984.

Entrevista realizada pelas alunas PIBID Letícia Farias Dos Santos e Milian Carla Strona

Meu nome é Marili das Graças Vieira Teixeira. Nasci em Irati,

no dia 20/11/1966. Filha de Francisco Luiz Vieira Neto ( Chico

Tampa) e de Maria Noemia Vieira. Sou a 7a de um total de 09

filhos legítimos de minha mãe. Tenho dois irmãos só por parte

de pai.. Também tenho uma irmã adotiva. Comecei a estudar no

Colégio São Vicente, em 1981. Meu sonho era fazer Odontologia.

Por isso fui cursar Patologia Clínica, que era um curso equivalente

ao Ensino Médio, mas que preparava para seguir as áreas das

ciências, medicina, etc. Porém, na primeira prova de Português,

da professora Lídia Rocca, a qual era muito exigente, eu tirei 2,0

de 10,0 pontos. Me apavorei, acreditando que eu não passaria

com ela, então pedi ao Diretor – Padre Wilson – para mudar para

o magistério. Lá estavam minhas colegas da 8a série do Colégio

Antonio Xavier, de onde vim. No Colégio São Vicente, sempre

participei de atividades artísticas. Me lembro de uma apresentação,

onde nos vestimos de palhaços, todas as alunas da minha turma.

Acho que foi em 1982. Foi uma apresentação numa festa da escola.

Cantamos e dançamos com um ursinho, a música” URSINHO

PIMPÃO”, sob a coordenação de uma professora de Educação

Física que vinha de Curitiba. Ela passou no concurso e assumiu

aqui.

Também nesse mesmo ano, essa professora, preparou uma

coreografia conosco para apresentarmos no Clube Polonês.

Também desfilamos com o mesmo traje, no desfile cívico de Irati.

Festival da Pontuação

Essa apresentação teve a participação de Elza Luiza

Bernarski, Margarete Lechiw, Giselda Heraki, Dulcineia Alves de

Lima, Rosane Aparecida Siquinel Gryczynski, Marli Terezinha

Machinski, Gilda Chmulek, Alcione Kichel Kichel, Rosa Regina

Bonck Ribeiro de Lima, Tânia Surek, Helena De Lourdes

Ávila,Maria Helena Ribeiro, Neusa Maria Rozyski, Edna Maria

G e Elza Valenga.

Professora, lendo ali o texto que me mandou, muito interessante, vi que

mudou de curso, que queria fazer Odontologia. Não se arrepende de ter

trocado pela carreira acadêmica? Consegue imaginar como seria agora se

optasse seguir em frente com o curso de Patologia Clínica? Se sentiria

mais, ou menos realizada? Legal também a questão da professora gostar e

ter feito várias atividades artísticas no colégio. E em relação ao trabalho na

professora, o que destaca assim de quando trabalhou no São Vicente, e

também como professora, no geral? Que conselho daria para nós,

acadêmicos, que estamos iniciando os passos na docência? E também uma

pergunta, acho que muito importante para mim e acho que para muitos

professores também: o que se espera das crianças, dos adolescentes e dos

jovens na atualidade e futuro, o que mudou ao passar desses anos que a

professora estudou no São Vicente, no Colégio Antônio Xavier, etc., e

hoje, como docente? Como você vê a valorização (ou desvalorização) dos

professores atualmente, tanto por parte da sociedade, mas mais

propriamente dos alunos? Acho que era basicamente isso.

penso que financeiramente seria melhor odonto, porém

amei o magistério, hoje estou meio decepcionada com a carreira.

Tenho me sentido incapaz de mudar. Mas ainda acredito na educação.

Em relação ao que se espera dos estudantes, acredito que ainda há

muitos buscando um futuro melhor. Quanto a questão de valorização

dos profissionais está cada vez mais difícil, tanto pelos educandos

quanto pelo governo, sociedade, pais. Mas vejo que o problema não

é só da escola, mas da sociedade como um todo: violência, falta de

respeito, bullyng. Quando fui aluna do Colégio Xavier, os alunos

cantavam o Hino, por exemplo, tinham medo dos professores É claro

que ainda era o fim da palmatória, alguns professores ainda nos

agrediam verbalmente. No São Vicente, como já era mais velha, com

15 anos, não via muitos problemas. Mas falta de educação a gente não

presenciava. Falávamos muito, “fazíamos arte”, mas sempre tínhamos

respeito com os professores.

O que eu tenho a dizer é que se amam a profissão, sigam em frente,

mas saibam que a carreira é árdua. Porém tem suas recompensas.

Hoje, por exemplo, sou professora dos filhos dos meus alunos, que

mesmo alguns tendo sido muito “peraltas”, me respeitam e orientam

os filhos pra isso. Toda regra tem sua exceção. Alguns ex-alunos me

encontram no mercado e citam algo do passado, agradecem, pedem

desculpas. Outros são colegas de trabalho e dizem que aprenderam

muito com a gente. Isso não tem preço! Hoje não seguiria a carreira

do magistério pois minha paixão é o teatro. Gosto de dar aulas de

teatro para crianças e adolescentes. Acho que isso me dá mais prazer

hoje. Entretanto, não desmereço minha profissão! Também gosto de

atuar, sou atriz amadora no Grupo de Teatro Ir- a- Ti/UNICENTRO.

Já participei de várias peças com o Grupo. Também fiz curso e atuei

na Casa de artes Helena Kolody. Sou contadora de história para

crianças, o que me faz muito feliz. Escrevi a História: “ A BRUXA DA

MONTANHA” da qual também faço apresentação artística. Já tenho

editado a BRUXA I, II e III. Também tenho mais dois contos escritos:

PRETA DA TERRA e O MENINO SENSÍVEL, os quais aguardo

condições financeiras para editar.

Já trabalhei no Colégio São Vicente como professora de Filosofia

e é claro que foi emocionante poder lecionar lá. Também fiz várias

apresentações da Bruxa da Montanha lá no colégio, para alunos do

Fundamental e do Magistério.

 

 

Entrevista com a ex aluna de magistério Dulcinéia Aparecida Alves de Lima Röesler

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Antigo boletim escolar do colégio

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Dulcinéia (lado direito) junto com sua colega Marili em uma das tantas apresentações que participava na época.

Entrevista realizada pelo Aluno PIBID Mateus Gerigk

Nome?

Dulcinéia Aparecida Alves de Lima Röesler

Você é de Irati ?

Nasci em Irati, estudei e morei aí até 1990, deste ano para cá

moro em Imbituva – PR.

Conte-nos um pouco mais sobre sua formação no colégio São Vicente.

Estudei neste colégio o Curso de Magistério, iniciando os estudos em 1982 -

1o ano, 1983 – 2o ano e 1984 – 3o ano, foi de extrema valia ter feito o curso em

questão, pois adquiri muitos conhecimentos inerentes à minha profissão que é de

professora, depois continuei os estudos fazendo faculdade de Pedagogia.

Do que mais sente falta referente ao tempo que você passou no Colégio ?

Das amizades que conquistei ao longo dos três anos que passei pelo Colégio,

alguns amigos ainda tenho ligação até os dias de hoje. Algumas ainda tenho forte

ligação. Promovemos no final de 2013 um Jantar de Reencontro da Turma, mas só

compareceram 07 pessoas de toda a turma, foi magnífico!

Sabemos que você passou pelo Colégio São Vicente como aluna, o que mais te

marcou nessa passagem?

Das apresentações que fazíamos no Colégio, e muitas apresentações externas

como o “Teatro da Pontuação”, organizado pela saudosa professora Leopoldina

Chudek, a repercussão com este teatro foi estrondosa na época, fomos em

diversas escolas apresentando nosso teatro, e várias outras apresentações

pelo Colégio em datas comemorativas. Éramos uma turma bastante dinâmica.

E também outro fato marcante era a cumplicidade e o carinho que tínhamos

com os professores, em especial ao querido Pe. Silvio, que por longos anos,

trocávamos correspondências com ele, eu e várias colegas de classe, na época,

a comunicação era somente por carta. Tenho cartões-postais dele enviados de

Paris, da Torre Eiffel e Castelo de Notre Dame. Tenho guardado até os dias atuais

como lembrança boa desta época que foi marcante em minha vida.

Pretende um dia voltar e fazer uma visita ao colégio ?

Com certeza, sempre penso em visitar novamente as dependências do Colégio,

mas em dias normais é impossível, devido ao trabalho, e aos finais de semana o

Colégio não fica aberto, pois sempre vou à Irati nos finais de semana. Mas ainda

quero achar um dia específico para retornar a esta conceituada instituição de

ensino.

O quão importante é a educação nos dias de hoje ?

É extremamente importante a educação nos dias de hoje, sem ela não se vai

à lugar nenhum, tudo que se faz praticamente envolve educação, em todos os

sentidos, é pré-requisito para tudo, tem que estudar com afinco, com dedicação

para alcançar lugares almejados na vida de cada um.

Poderia deixar uma mensagem de incentivo para os leitores do blog ?

Para os alunos que ainda estudam no Colégio, aproveitarem bem sua passagem

pelo mesmo, passa muito rápido e o que fica são as lembranças que marcam

muito a vida da gente, e para os leitores do Blog que continuem firmes e unidos

para que este se concretize realmente em um Blog de destaque!

Entrevista com a Professora Luciane do Pilar Sartori Ventura

 

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Foto : Professora Nane no aniversário de 70 anos do Padre Wilson (Padre Diretor do Colégio São Vicente de Paulo do ano de 1974 a 2003)

Entrevista realizada pelas alunas : Glaucia, Gabrielle, Deisi, Mônica, Tamires e Larissa do 3ºB

Entrevistador: Qual é seu nome, onde nasceu?

Luciane: Meu nome é Luciane do Pilar Sartori Ventura, nasci em Paranaguá em 1963.

Entrevistador: pode nos contar um pouco sobre sua infância?

Minha época de escola foi muito alegre e criativa, estudei no Colégio Estadual José Bonifácio desde o 5º ano, com o mesmo grupo de amigos, terminamos o ensino médio e daí cada um seguiu o seu caminho.

Entrevistador : Qual foi o curso que você realizou?

Luciane: Esta época foi muito delicada para escolher que curso fazer, qual profissão seguir, pois tinha 15 anos. Fiz alguns testes vocacionais  e decidi  prestar  vestibular para Turismo e Educação Artística e passei na UFPR, conclui a licenciatura curta em 1983 e comecei a dar aulas no Colégio Anjo da Guarda em Curitiba e no Colégio Estadual São Vicente de Paulo, passei dois anos viajando semanalmente até me fixar em Irati. Iniciei dando aulas no curso de  magistério e para o técnico em Contabilidade.

Entrevistador: Como era o Colégio São Vicente na época em que trabalhava?

Luciane: O colégio tinha muitas regras rígidas, mas o Diretor, Padre Wilson, apesar de severo, possibilitava a realização de várias atividades extra-curriculares, eventos, gincanas e uso de espaços escolares para fazer teatro, dança, oficina de pintura, escultura, etc….Nesta época também iniciei no Grupo Musical Snakes, que realizava bailes em muitas cidades, no qual atuei por 12 anos, fiz licenciatura plena em artes visuais, pós graduação em metodologia da arte e em 2011 terminei o PDE.

Entrevistador: Gosta de trabalhar com artes?

Luciane: O ensino da arte na escola é muito gratificante. A arte é uma “manifestação da atividade humana, por meio do qual se expressa uma visão pessoal e desinteressada que interpreta o real ou o imaginário com recursos plásticos, lingüísticos ou sonoros”.

Entrevistador: Como podemos aprender com a arte?

Luciane: Através da experiência artística se desenvolve a imaginação, aprende-se a conviver com o outro, respeitando as diferenças e sabendo modificar a sua realidade.
A arte dá e encontra forma e significado como instrumento de vida na busca do entendimento de quem somos, onde estamos e o que fazemos no mundo.
O ser humano sempre procurou representar, por meio de imagens, a realidade em que vive (pessoas, animais, objetos e elementos da natureza), e os seres que imagina – divindades, por exemplo. As Artes Visuais, desenho, pintura, grafite, escultura, etc. – a literatura, a música, a dança e o teatro, são formas de expressão que constituem a arte.
A arte é uma criação humana com valores estéticos (beleza, equilíbrio, harmonia, revolta) que sintetizam as suas emoções, sua história, seus sentimentos e a sua cultura. É um conjunto de procedimentos utilizados para realizar obras, e no qual aplicamos nossos conhecimentos.

Entrevistador: Você se arrepende de sua escolha ?

Luciane: Não me arrependo das escolhas profissionais, o aprendizado constante faz parte da vida de todo profissional, atualmente leciono no CEEBJA, para o futuro pretendo me aposentar da escola e continuar envolvida em atividades artísticas e culturais.

Entrevistador: Pode deixar um recado para os leitores do BLOG?

Luciane: O meu recado é que nunca esqueçam que a curiosidade aguça o pensamento, para que que surjam novas ideias e descobertas. Uso a metodologia: ver, saber e fazer. Um abraço, Nane.

 

Um projeto, uma coletividade!

De que forma se constitui um colégio? Neste projeto acreditamos que além de um espaço físico é necessário a tutela de profissionais qualificados e dedicados, tanto na parte pedagógica quanto no âmbito organizacional de sua estrutura, a exemplos dos chamados serviços gerais, todos estão unidos para que o todo prevaleça. De certa forma a visão histórica se assemelha, pois ao entrarmos em pesquisas, analisamos os agentes necessários que atuaram para a construção de um passado, o qual valorizava apenas os principais autores.

Com isso evocamos uma importante corrente histórica, a dita Escola dos Annales, em sua terceira geração, onde surgem com maior ênfase as aplicações de novas fontes, como fotos e entrevistas (CARDOSO, VAINFAS, 1997, cap. 5).

Ressaltamos para esse projeto a colaboração de alunos, professores, acadêmicos do curso de história (participantes do PIBID) e funcionários. Sendo a entrevista uma das principais fontes para a reconstrução histórica, legitimando seu valor e sua importância.

(William Ribeiro “BIG” – bolsista PIBID Unicentro)

Irmão Aloisio Roginski – Colégio São Vicente de Paulo

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Entrevista realizada por Fabiana de Godoy e William Ribeiro, com Irmão Aloisio Roginski e transcrita por Carina Janinski Guesser, aluna do 3º B, referente ao projeto do blog “Reescrevendo o passado: O Colégio São Vicente de Paulo”.

Entrevistador: Como o senhor iniciou como Irmão na congregação e o que o senhor fazia lá?

Irmão: Nos anos 60 que eu saí da casa da minha família, fui para Curitiba, para o seminário estudar e me formar Irmão, então comecei como apostolante. Trabalhei em gráfica, na horta e na Igreja, tocando teclado para o povo cantar nas missas. Só seminário maior naquele tempo era seminário, hoje é chamado de Casa Central. Fui transferido para o seminário de Araucária, lá moravam os alunos, no total moravam no seminário umas 200 pessoas. Tinha o quintal, a catequese, visitas aos pobres e cursos. Eu fazia a noite, porque ainda não tinha o estudo que precisava, era novo ainda, tinha perto de 30 anos.

Entrevistador: Aonde que foi tudo isso Irmão?

Irmão: Em Araucária, região metropolitana de Curitiba. Depois fui transferido para a Paróquia de Inácio Martins aqui perto de Irati. A catequese que é a preparação da criança para a primeira comunhão, era a minha função, eu preparei mais de 100 crianças para a primeira comunhão e também fazia visita às comunidades. Todas as capelas das comunidades que o padre visitava, eu ia junto e ajudava a preparar a comunidade para participar da missa. Tinha curso de batismo, horta, aula no grupo escolar que eu dava, de ensino religioso, tinha um cursinho de música para os seminaristas, curso de crisma. Eu dei porque tinham pessoas que não eram crismadas. A visita aos pobres, no bairro, a gente visitava os pobres bastante e ali tem muita história que “meu Deus do céu” com eles. De Inácio fui transferido e fiquei 6 anos e meio na cidade de Palmas, depois fui transferido para a Paróquia de Itaiópolis, em Santa Catarina, lá eu tocava teclado nas missas para o povo cantar, também dava aula no Colégio Estadual de ensino religioso, naquele tempo ainda tinha.

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Irmão, turmas formadas na catequese para Primeira Comunhão

Entrevistador: Na verdade ainda tem, na 5ª e na 8ª série, é uma aula só.

Irmão: Acompanhei o padre nas missas das comunidades por todas aonde ele ia, nós tínhamos mais de 30 comunidades, capelinhas. Enquanto o padre ia atender confissões ou batismo, eu preparava e ensaiava o canto, lá fiquei um ano só (Paróquia de Itaiópolis, Santa Catarina), senti muito de sair de lá porque dava aula, até tava um dia parado na frente dos alunos, quando eles estavam cantando o hino do Ipiranga e pensei assim comigo: meu Deus do céu, aonde eu me meti, eu nunca pensei em dar aula e ser professor. Outra pessoa acabou entrando e eles entregaram a Paróquia para outros padres, por esse motivo tive que sair de lá, eu fiquei muito sentido, mas o que eu vou fazer? Daí de lá de Itaiópolis fui transferido para Curitiba, em um seminário novo que tinha apenas um ano ou dois que estava funcionando, era dos filósofos, os que faziam faculdade de filosofia, estudavam lá e eu os acompanhava. Lá também tinha horta. Tinha também novena toda quarta-feira na capela, depois da novena de natal com os vizinhos do seminário, novena da campanha da fraternidade. Lá eu cuidava do patrimônio do seminário também, porque chegavam as férias ou algum dia e todos saiam, não ficava ninguém, lá é grande.

Entrevistador: Igual o senhor cuida aqui?

Irmão: Cuido, eu atendo a noite. Por exemplo, no sábado e a noite, o Padre Moacir viaja, não tem ninguém, então eu ligo o alarme e fico sozinho.

Entrevistador: O senhor tem horta aquí?

Irmão: Tem.

Entrevistador: E é o senhor que cuida da horta?

Irmão: Isso, só eu. Quando eu estava no seminário eu tinha ajuda dos alunos, dos filósofos, aqueles do seminário de Araucária, cada dia iam cinco rapazes ajudar, nas quartas-feiras, dia do trabalho todo mundo trabalhava em uma função, sábado ia muita gente ajudar. Eu continuo com o quintal, onde eu fui sempre teve quintais, porque eu já nasci no interior. Então quintal, criação, eu tenho galinhas, ganços e cachorros. E também aqui tenho ensaios em língua polonesa com grupo de cantores na casa da cultura.

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                 Irmão cuidando da orta                                                                                                       Curso de horta em Palmas

Entrevistador: Por quê? O senhor fala polonês?

Irmão: Sim, eu sou descendente, por isso falo mal o português, não sei se você percebeu?

Entrevistador: E o pai e a mãe do senhor?

Irmão: Meu pai e minha mãe só falavam em polonês, eles falavam um pouco em “brasileiro”, mas eles já falavam tudo mais em polonês, polonês como do interior… E também aqui eu fui atacado por abelhas ali em cima numa casa, então os funcionários foram lá para fazer limpeza com máquina e elas se irritaram com o barulho da máquina, daí primeiro veio uma e mordeu, não sei quando ela voltou e veio todo o enxame, atacaram os cachorros, eu perdi dois, um morreu na mão do veterinário e outro sumiu, até hoje não vi.

Entrevistador: Foi ano passado isso?

Irmão: Foi no fim do ano passado, entro nos cabelos e tudo.

Entrevistador: Irmão, antes de a gente continuar, qual o nome inteiro do senhor?

Irmão: Bom, eu como sou batizado e Aloise Rogitski, mas o brasileiro não consegue pronunciar, então enrolaram e ficou Rogiski, só que mudaram meu nome para superior, ficou Irmão Aloisio Rogiski, é ainda mais fácil para o português.

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Entrevistador: Quando o senhor foi lá para o seminário, o senhor falava pouco português?

Irmão: Sim, um pouco falava, então os teólogos e filósofos que tinham lá gostavam de conversar comigo por causa do jeito que eu falava, eles achavam graça, daí conversando eles foram me corrigindo, corrigindo fui aprendendo. A descendência dos meus bisavós era polonesa, meus bisavós por parte de pai viveram a mais de 110 anos,  por parte da mãe não sei se chegaram a 100 anos, mas foram a mais de 90 anos.

Entrevistador: O pai e a mãe do senhor nasceram aqui no Brasil?

Irmão: Sim, aqui no Brasil.

Entrevistador: Mas falavam polonês?

Irmão: Sim, meu nome correto é Irmão Aloisio Roginski, mas se fosse em polonês Aloise Rozejcki.

Entrevistador: E porque o senhor não chegou a ser padre?

Irmão: Porque eu já quis ser Irmão.

Entrevistador: O senhor me disse que usava batina também, não é?

Irmão: Sim, usei durante oito anos. É ordem usar ternos, eu como Irmão não tenho tanta obrigação de usar.

Entrevistador: As pessoas às vezes não sabem disso, criticam que os padres não usam batinas, porque antigamente os padres usavam batinas diariamente.

Irmão: Uma desvantagem da batina, por exemplo, um dia fui de ônibus passear e fiz o ônibus parar, quando ele parou e eu tava descendo pela portinha o vento veio por baixo e empurrou a batina pra dentro do ônibus, quando tava fechando a porta, um pedaço da batina tava lá dentro, imagina que eu ia ser puxado, que perigo, uma outra vez eu entrei numa rua, acho que era na São Francisco pra baixo da igreja, veio aquele vento embalado e encheu, então eu já não gostava muito. Sabe que quando eu tava meio ano de apostolante, no seminário o meu diretor achou uma batina, não sei se era de alguém ou o que, ele trouxe pra eu vestir, se servisse eu ia ficar com a batina, ele veio no quarto e mandou vestir e serviu, então ele disse: você não tira mais essa batina. Eu disse “meu Deus”, como que eu vou andar com esse vestidão? E ele disse: não, você vai ficar com isso, porque se não eu te mando embora, aqui não pode ficar sem batina, daqui em diante você tem que ficar de batina. Foi só meio ano que eu era apostolante e eu andava, eu me acostumei assim, eu usei oito anos, no oitavo ano eu não tava muito querendo deixar de usar pelo menos pra missa, eu ia tocar lá. Então para ir tocar na missa ia de batina, nossa batina era branca.

Entrevistador: O senhor chegou a conhecer o São Vicente quando era seminário?

Irmão: Eu nunca entrei quando tava em casa depois de lá, quando eu fui numa reunião em Campina Verde no estado de Minas Gerais, tinha um Irmão daqui, o Irmão Joaquim, nós somos três províncias aqui, eu de Curitiba, ele do Rio de Janeiro e outros são de Fortaleza, nós tínhamos reuniões de estudos, entre os Irmãos era assim, da minha só fui eu e ele daqui, dai nós nos conhecemos lá. Depois quando eu vim de Curitiba para cá, vim visitar ele aqui.

Entrevistador: O senhor é da mesma congregação do que o Padre Moacir?

Irmão: Sim.

Entrevistador: Como que é o nome da congregação?

Irmão: É São Vicente de Paulo.

Entrevistador: E onde que fica a sede?

Irmão: A Casa Central é em Curitiba. Lá tem o seminário, o instituto de teologia e filosofia e tem a Paróquia São Vicente.

Entrevistador: E essa formação da congregação ela é semelhante? Quem entra depois coloca a batina, como é?

Irmão: Então é assim, tem várias congregações, nós somos da congregação São Vicente de Paulo, o fundador, aí tem os Franciscanos, de São Francisco, tem os Jesuítas, que fundou aquela ordem. Conforme o fundador da ordem são seus estatutos, tem as constituições, os Vicentinos, de São Vicente de Paulo, somos em 51 províncias.

Entrevistador: O São Vicente fazia trabalhos com os pobres também?

Irmão: Sim, ele fazia trabalho com os pobres, depois fundou a Congregação Vicentina para trabalhar nos hospitais com os pobres e os doentes. Olhe o que me aconteceu em Palmas, um japonês plantava batata, tinha muita, um dia eu falei para ele, que este bairro aqui que eu atendia tinha muitos pobres e eles gostam de batata, perguntei se ele podia trazer um pouco desta batata. O japonês me fez uma, trouxe tanta batata e despejou aquele monte, só que depois de duas semanas começou a apodrecer e feder, disseram que iriam dar parte, eu digo que não, “meu Deus do céu”, peguei minha pastinha em baixo do braço e fui a pé lá, disse: quem que dá parte do japonês, depois ele não ajuda nada  e vocês precisam de ajuda. Eu levava o que sobrou de carro, a pé um pouquinho, então alguém de lá que trabalha na prefeitura veio com máquina carregadeira e cobriu aquilo lá. Depois uma senhora que eu fui visitar, dentro da casa era bonito tudo arrumadinho, dessa senhora levei uma cacetada, ela disse: Irmão, nós somos pobres mas não somos “relaxados”, isso ficou marcado para o resto da vida.

Entrevistador: O trabalho que o senhor disse que fez, ele já era feito desde quando o senhor estava no seminário ou só depois que o senhor ordenou?

Irmão: Bom, quanto eu estava no seminário que eu fui me preparar e estudar para ser Irmão, então eu não trabalhava fora, trabalhava mais dentro, então meio ano era apostolante, quando ganhei a batina eu era noviciado um ano, podia ser candidato para Padre, nós fazíamos juntos, o noviciado era estudo dos costumes da ordem da congregação, todos os estatutos, a fundação, tinha muita coisa.

Entrevistador: Aqui em Irati o senhor chegou a estudar em algum colégio, alguma escola?

Irmão: Eu estudei quando era “piá” lá no Rio Bonito, eu estava interno no Colégio das Irmãs um ano, só que eu não me acertei com elas, daí minha mãe me tirou, depois eu entrei em uma escolinha, onde eu estava estudando o segundo e terceiro ano, primeiro ano que eu estava no colégio.

Entrevistador: O senhor lembra em que ano foi isso, mais ou menos ?

Irmão: Anos 60. Já se passou 50 anos.

Entrevistador: O senhor entrou no seminário nos anos 60?

Irmão: Sim, nos anos 60.

Entrevistador: A gente estava no Brasil na época da ditadura militar!

Irmão: Sim, eu ainda vejo muitas coisas na televisão que “meu Deus do céu”. Em 64 que começou a ditadura. Até tinha gente pela rua olhando para o nosso seminário, planejando alguma coisa. Eu tava indo pela rua, sai passear, acho que era um domingo e um político que era bom, não era da ditadura, ele tava de carro, porque ele tava numa reunião, alguma coisa na assembléia, quando ele me alcançou ele me deu carona para onde que eu tava indo e me trouxe até a porta do seminário e disse que ele ia lá ver alguns negócios.

Entrevistador: E em uma missa, o senhor pode só ajudar?

Irmão: Sim, eu não posso rezar a missa, comunhão eu já distribui bastante, só que aqui como eu estou no colégio não na Paróquia eu não mecho com isso, com essa parte. Então, eu dava comunhão, eu levava comunhão para os doentes por todos lugares que eu atuei, principalmente quando estava no seminário dos filósofos, então daqui eu levava comunhão. Numa família que eu fui eles consideravam isso como um padre.

Entrevistador: Então o senhor fez filosofia no seminário?

Irmão: Não, eu não estudei filosofia, mas agora tem que estudar, se for para ser Irmão tem que ter o mesmo estudo do Padre. Agora eu não tive todo esse curso.

Entrevistador: E como Irmão, o senhor segue as mesmas normas que os Padres?

Irmão: Sim, é tudo a mesma coisa. Porque o São Vicente de Paulo formou os Padres e os Irmãos também, só que a nossa província tem mais de 60 Padres, mas Irmãos somos só 3.

Entrevistador: E será que tem Irmã também?

Irmão: Freira, mas é Irmã. Então quando chamam Freira é porque é costume.

Entrevistador: As Irmãs do Colégio Nossa Senhora das Graças são Vicentinas?

Irmão: Sim, tem até fotos lá no cemitério quando a gente entra pelo portão da frente, a direita tem os túmulos das Irmãs, tem três Irmãs que eram da Polônia, mas agora não tem nem Padre nem Irmãs que vieram da Polônia.

Entrevistador: Então Irmão, se o senhor tiver em outro momento uma foto para mostrar para nós.

Irmão: Tem um álbum do trabalho que eu fazia, mas leva mais de uma hora para ver todo o álbum. Eu tenho um de pequenos, só de batismo. Eu dando aula de horta também, e professoras com o carrinho de mão, puxando o adubo orgânico. Também trabalhava na gráfica, eu ajudava na parte que se chamava bloqueagem.

Entrevistador: Onde ficava essa gráfica?

Irmão: Ficava na Casa Central, nos fundos, só que agora não tem mais, imprimia jornal em polonês. O Padre polonês que fazia e distribuía até por Irati, por tudo tinha polonês, eles eram assinantes, outros países também, então ia para a Argentina, para o Uruguai, para o Paraguai, nem que fosse um, dois ou três, mas ia. E para a Itália, a Polônia, França, Paris, muitos lugares assim que me lembro, aqui no Brasil ia por tudo. Quando eu pegava no jornal dobrado já pronto para bater endereço o nome de cada assinante, então era isso que a gente mandava para São Paulo, dava dois ou três pacotes e tudo em polonês.

Entrevistador: E era todo dia esse trabalho, quem tanto fazia todo esse jornal?

Irmão: Dai toda quarta-feira eu trabalhava com jornal, tinha um homem que imprimia. Bom, vou começar pelo Padre, ele era redator do jornal, ele achava o material para montar o jornal, ia para a paginação, da paginação ia para a máquina e cada parte era um funcionário e depois que imprimia passava para mim. Eu tinha uma maquina que dobrava o jornal e outra que eu batia o endereço.

Entrevistador: O senhor trabalhava o dia inteiro ali?

Irmão: Sim, o dia inteiro. Quarta-feira começava antes que era aquele jornal que tem que bater endereço e tinha um velhinho polonês que fazia o pacote, então ele empacotava o jornal e colava o endereço em cima do pacote, depois quando estava tudo pronto o Padre enchia no Jippe, no começo nem carro tinha, naquela época, anos 60. Ele colocava no Jippe e levava no correio, do correio ia para as pessoas. Aqui na paróquia São Miguel ia um pacote porque tinham muitos poloneses de Prudentópolis.

Entrevistador: Por conta de ter muitos poloneses não teve essa questão da língua, de discriminação?

Irmão: Não, aqui no Brasil não era proibido falar polonês. Tinha até aulas em polonês.

Entrevistador: Hoje em dia o senhor faz isso que o senhor falou, lá na Casa da Cultura que o senhor canta?

Irmão: Na Casa da Cultura eu vou tocar teclado, ensino eles a cantar porque eles são descendentes de polonês e não sabem polonês. O mais interessante é que eles me convidaram, pediram para mim ficar, eu pensei que eu ia lá e iria sentar no meio do grupo e cantar, mas não, fui lá e me chamaram para dirigir, eu sou tão pequeno diante das professoras. Tinha advogado, agrônomo, empresários…

Entrevistador: Mas o conhecimento não é pequeno, a vivência e a experiência do senhor, o senhor não é pequeno.

Irmão: Mas eu me sentia assim, o advogado era meu colega na Congregação Mariana antes de ir para o seminário, quando eu era “piá”, de 15 ou 16 anos, nós já nos conhecíamos, daí eu vim aqui e reencontrei ele.

Entrevistador: O senhor gostou do novo Papa? Ele é Franciscano.

Irmão: Sim, ele é da ordem Franciscana, por isso o nome dele é Francisco.

Entrevistador: E tem essa diferença não é Irmão? Os Franciscanos têm um trabalho voltado para outra área. Então os Vicentinos, do São Vicente é para a área da pobreza e os doentes.

Irmão: Mas eles também trabalham com os pobres, os Franciscanos, eu acho que cada ordem de Padre é reivindicada aos pobres. Como diz na Bíblia Sagrada: pobres sempre terá entre vós.

Entrevistador: Tinha algum costume ou alguma coisa que seja específico que o senhor saiba que seja exclusiva da ordem vicentina?

Irmão: Eu não sei como explicar, porque cada congregação ou fundação, ela tem seus estatutos e regras. Agora a diferença de uma congregação para outra é por causa do fundador, conforme ele pediu para seguir… Isso tem uma diferença também, tem Padres que são monges, enclausurados, então esses são diferentes dos outros, eles só ficam rezando e quando uma pessoa chega eles atendem, são enclausurados. Agora os outros se dedicam nas paróquias abertas, trabalham com a comunidade e o interessante daqui de Irati que tem Monges, só que eles são enclausurados também, mas eles tem licença de assumir paróquias e trabalhar, agora tem dessa mesma ordem na Lapa, existe uma casa deles que é mosteiro, eles são enclausurados e não podem andar por aí.

Irmão: Eu acho que preparei para a primeira comunhão mais de 1000 crianças, lá em Inácio Martins eu preparei mais de 100, em Araucária cada ano durante 7 anos eu preparava duas turminhas para a primeira comunhão, e em cada lugar uma quantidade diferente, alguns tinham 40 ou mais. Dei curso de crisma aqui em Inácio Martins e visitas a comunidade. Por onde o Padre passava, lá em Itaiópolis, eu levava o teclado no Jippe, era pequeninho, enquanto ele atendia o pessoal fazendo batizados ou confissões, eu ficava lá fora e fazia o ensaio. Tinha um lugar que a gente chegava que não tinha capela, nem centro comunitário, nada, só na frente da casa de um morador, nós colocávamos uma mesa e preparávamos, assim se rezava a missa ali e vinham muitas pessoas, da colônia assim. Mas hoje já tem capela lá. Então, eu sentava ali fora e vinha em volta de mim um monte de pessoas.

Entrevistador: Mas era um trabalho que agregava as pessoas, uniam as pessoas não é Irmão?

Irmão: Justamente, hoje eu só estou acompanhando esse grupo de cantores, na Casa da Cultura.

Entrevistador: Mas o senhor ajuda aqui também?

Irmão: Nós já tinhamos tres missas e vamos ter dia 25 de agosto missa lá na paróquia de Padres.

Entrevistador: Mas eles vão cantar?

Irmão: Sim, vão tocar e cantar. O Padre polonês vai rezar, ele é lá de Mallet, então nós já fizemos apresentações, cânticos natalinos, duas vezes no clube Polonês, e depois tinha um jantar. Em Palmas, no seminário que também tinha uma horta, as aulas no grupo escolar de ensino religioso, toda a quinta-feira, como a capela era perto do grupo, eu preparava os alunos para cantar no domingo, e tinham moradores que não iam trabalhar só para ouvir os ensaios, eles achavam bonito. Então era assim, nesse grupo ia toda a terça-feira eu dava aula para os maiorzinhos e na quinta-feira era os menorzinhos e tinha bastante gente nesses grupos.

Entrevistador: O senhor também fazia visita, ajuda as pessoas necessitada, isso?

Irmão: Sim, visita aos pobres, então eu levava para os pobres roupas, principalmente no seminário, lá tinham muitos alunos, então o aluno cresceu, a camisa e a calça não serviam mais, eles ajudavam. Tinha uma Irmã que lavava as roupas e passava para mim, eu levava para os pobre, então fazia visitas em todas as famílias que precisavam. E um domingo foi interessante, uma fotógrafa se interessou em ajudar os pobres, ela perguntou se eu precisa de ajuda. Eu digo “meu Deus do céu” tem bastante, então o que ela fez, ela comprava fubá para fazer polenta, feijão, arroz, alguma outra coisa assim, vinha lá no seminário e ia junto à comunidade, a gente fazia assim, para ir lá nos pobres eu marcava a novena, na tal casa vai ter novena, daí enchia de gente na novena, depois tinha a distribuição desses alimentos, por dia eu levava os sacos de batatas, antes do japonês despejar aquilo tudo, as pessoas corriam para dentro da casa de tanta pressa que eles tinham de ganhar batata. Além disso eu benzia casa também, benzia casa por tudo lá. Eu ia benzer famílias também.

Entrevistador: Eram as pessoas que pediam Irmão?

Irmão: Não, era ordem da igreja, depois do natal era um costume da igreja católica de ir benzer as casas e famílias, a gente ia fazer benção de casa daí eu pedi para o Padre, se ele me autorizasse daí eu benzia.

Entrevistador: O senhor acha assim, analisando, desde que o senhor entrou no seminário, houve muitas mudanças na igreja, na religião católica. O senhor veja que hoje temos muitas religiões disseminadas, antes era mais religião católica. O senhor acha que isso é um problema? O que o senhor acha dessas religiões, acha que ajuda ou atrapalha?

Irmão: Bom, um tanto atrapalha, porque até os meus alunos que preparei para a primeira comunhão na catequese, um dia cheguei em um lugar e eles já viraram “crentes” e queriam que eu mudasse e eu disse assim: Jesus diz que bem aventurados são aqueles que perseveram até o fim, deles é o reino dos céus. Meu sobrinho, filho do meu irmão, só por causa de que ele machucou a coluna e não estava conseguindo curar ele passou para “crente”. Meu irmão ficou doido com isso que nossa. E ele é meu sobrinho e o que eu vou fazer?

Entrevistador: A gente tem que respeitar não é Irmão!

Irmão: Eu não sou muito contra, por exemplo, eu me dou bem com o fiscal do cemitério, ele é “crente”, ele é de outra religião, eu chego e converso com ele e até foi interessante eu me lembrar, a gente conversa sobre a Bíblia, mas não discutimos, então eu chego lá e falo o que Jesus diz na Bíblia hoje para nós, então ele me dá uma frase: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Um dia ele chegou e nós estávamos conversando sobre religião e chegou um outro senhor, acho que um empresário, meio bom de cultura, alguma coisa ele entendia e ele entrou na nossa conversa e falou para esse “crente”, vocês não acreditam em Nossa Senhora, e ele disse que não acredita porque para eles é só Jesus e Jesus, mas Nossa Senhora é a mãe de Jesus, então se a tua mãe, alguém não respeitar e não querer bem você fica contente com isso? É claro que não, Jesus também não vai ficar contente se eles desprezam a mãe dele, então é assim. Até novena e tudo fala em nome de Nossa Senhora então daí ele falou não gosto mesmo, daí esse empresário disse: você acredita na cruz? Ele disse não acredito. Daí ele disse abra os braços, e ele fez assim e ele disse, pois veja, você é uma cruz e não acredita em você mesmo?

Entrevistador: Na verdade é difícil a gente discutir isso não é Irmão? Cada um tem uma crença, não dá para a gente discutir, mas eu por exemplo, observo que antes a religião católica, o cristianismo era mais presente na vida das pessoas.

Irmão: Agora uma coisa que aconteceu aqui em Imbituva, um Padre que já morreu, ele fazia enterro com missa, mas teve uma pessoa que morreu e que não frequentava a igreja, não vinha, “então se não comeu macarrão durante a vida, vai comer depois que morreu?” Não tem como, né, daí o Padre não queria rezar a missa para ele, o que tava pedindo, que era da família ficou brabo, deu um tapa no Padre e depois sabe que ele ficou com o braço duro. Até depois tinha um rapaz que era candidato para Irmão que veio de Imbituva e conhecia ele, me contou que diz que ele ficou de cama, ficou passando mal e não ficou bom.

Entrevistador: Na verdade é falta de respeito isso, tem que respeitar.

Irmão: E o Padre é uma pessoa consagrada, ordenada, gente assim ta fazendo um pecado, fica ex-comungado. Eu não sei explicar bem isso.

Entrevistador: Então Irmão, nós vamos ver se o senhor tem mais alguma coisa para nos falar, se quiser pode falar, porque daí nós vamos fazer assim, como eu disse para o senhor, a gente vai escrever no papel tudo o que o senhor disse para nós, o senhor lê e se o senhor gostar e se o senhor permitir a gente vai fazer o trabalho da vida do senhor, porque assim Irmão, a gente ta fazendo um trabalho para guardar a história das pessoas e se o senhor quiser a gente só deixa guardado aqui no colégio.

Irmão: Eu já disse no começo que nunca fiz uma entrevista.

Entrevistador: Mas o senhor acabou de ser entrevistado, acabou de fazer uma entrevista.

Irmão: E ficou boa?

Entrevistador: Ficou ótimo, é isso o que a gente queria, que o senhor contasse a história do senhor.

Irmão: Atualmente o que eu faço é cuidar da horta como sempre, desde criança eu era acostumado na roça porque eu nasci no Rio Corrente, daqui eu fui para o seminário, num dia eu cheguei no seminário terça-feira e quarta-feira de manhã o Padre já me deu cortadeira para trabalhar na horta.

Entrevistador: Então podíamos tirar uma foto, porque a gente quer tirar uma foto com o senhor, para guardar de lembrança, ta bom Irmão?

Irmão: A sim, sim, porque eu tava quase morrendo.

Entrevistador: Ah não, não vai morrer.

Irmão: Problema do coração, eu fui para Curitiba e fiz angioplastia, ainda não adiantou isso e o Doutor me mandou para Ponta Grossa, eu fui lá duas vezes e entrei no “forno”.

Entrevistador: Irmão, o senhor tem algum irmão de sangue vivo?

Irmão: Tenho, eu até encontrei um deles esses dias aqui em baixo, também está mais doente do que eu. O meu irmão era casado com a irmã da Maria do G. Center.

Entrevistador: O senhor tem só ele de irmão?

Irmão: É só ele de irmão que eu tenho, ele mora lá em Imbituva e mais três irmãs.

Entrevistador: Então Irmão, eu queria agradecer ao senhor por dar essa entrevista para nós, em meu nome, nome dos meus alunos, dos meu pibidianos. Eles são pibidianos.

Irmão: Como é teu nome?

Entrevistador: William

Irmão: Bonito nome

Irmão: Eu tinha alunos com o sobrenome Ribeiro e famílias amigas lá de Curitiba, porque eu sai daqui com quase 19 anos e fui para Curitiba, só depois de 43 anos que eu voltei para Irati transferido. Se for bem feito isso aqui, através do meu trabalho que vai ter, já vai ser uma propaganda para os Irmãos, porque não apareceu ninguém para fazer o curso.

Entrevistador: Mas o senhor nunca foi casado?

Irmão: Não, sempre tive essa vocação, eu me sinto consagrado.

Entrevistador: Que bonito Irmão, parabéns então, a gente agradece. Então eu converso com o senhor, eu vou escrever esse trabalho e depois mostrar para o senhor em outro momento.

Irmão: Então, tem um rapaz aqui que estava lá no Rio Grande, são mosteiros, são enclausurados, ele não se sentiu muito bem, estava mais de um ano. Aí ele voltou para a casa e ele veio falar comigo né, só que eu sabia do que se tratava, dai eu expliquei. Foi em outros também, mas ele era assim, não queria seguir isso que já tem, ele só queria seguir o gosto dele, mas assim ninguém se acerta, ninguém pode entrar em uma ordem e não seguir essa ordem assim como ela é, porque tem que ser como é, se não vira bagunça.

Entrevistador: Não dá certo, tem os dogmas, as leis e elas têm que ser seguidas. Tem que deixar a vida particular de lado. Mas então ta bom, obrigada Irmão, queria agradecer, dar um abraço no senhor, obrigada por ajudar a gente.

Irmão: Só desculpe qualquer coisa.

Entrevistador: Foi ótimo Irmão, era isso o que a gente precisava. Mas o senhor está bem no português. Pelo menos nós, no nosso trabalho as conversas, essas entrevistas com pessoas mais idosas são muito importantes, porque não é só universidade que forma e que te traz experiências e conhecimento, as pessoas mais vividas também.

Irmão: Eu só esqueci as datas.

Entrevistador: Mas as datas a gente faz assim, a gente escreve e o senhor vai vendo o que o senhor lembrar. Vamos ver como é que vai ficar. Obrigada Irmão.

Irmão: Eu agradeço também.

Paróquia São VIcente de Paulo, Curitiba, grupo de cantores-mulheres polonesas- decada de 60

Paróquia São Vicente de Paulo, Curitiba, grupo de cantores, mulheres polonesas, década de 60

tocando harmonio

Tocando Harmônio em capela comunitária

Professora Josiane Luisa Kieltyka – Colégio São Vicente de Paulo

ImagemEntrevistadora: Entrevista realizada pelas alunas Caroline, Lucimara, Letícia Carvalho e Renata do 3°B.

Entrevistadora: Qual é seu nome completo?

Josiane: Josiane Luisa Kieltyka.

Entrevistadora: Quando e onde nasceu?

Josiane: Nasci em Curitiba no dia 28 de junho de 1982.

Entrevistadora: Cresceu em Curitiba mesmo?

Josiane: Não, quando eu tinha 5 meses meus pais se mudaram para Rio Azul , então eu cresci em Rio Azul.

Entrevistadora: O que te marcou neste lugar?

Josiane: Creio que a minha infância, minha vida foi toda lá até agora e é um lugar que eu gosto muito de morar.

Entrevistadora: Qual o nome dos seus pais?

Josiane: Do meu pai é Adolfo Kieltyka e da minha mãe é Ines Kieltyka.

Entrevistadora: Eles são vivos?

Josiane: São.

Entrevistadora: Como foi sua infância?

Josiane: Foi muito feliz, gostava muito das atividades que eu fazia quando criança.

Entrevistadora: O que te marcou nessa fase?

Josiane: Creio que as brincadeiras com meus irmãos nós éramos bastante unidos.

Entrevistadora: É casada? Tem filhos?

Josiane: Não, sou solteira e não tenho filhos.

Entrevistadora: Onde estudou de 1° a 4° série?

Josiane: Em Rio Azul mesmo no Colégio Afonso Alves de Camargo.

Entrevistadora: Qual foi sua primeira professora?

Josiane: No prezinho tia Leonice e Laidi, depois 1° e 2° série professora Bernadete.

Entrevistadora: E de 5ª a 8ª série onde estudou?

Josiane: Colégio Estadual Dr. Chafic Cury

Entrevistadora: Onde e quando se formou?

Josiane: Na UNICENTRO em 2009.

Entrevistadora: Teve apoio de sua família?

Josiane: Sim, todo o tempo.

Entrevistadora: Enfrentou alguma dificuldade?

Josiane: Ah com certeza. Todo o período de faculdade eu trabalhava e estudava ao mesmo tempo, foi bastante difícil.

Entrevistadora: Qual foi seu 1º emprego?

Josiane: Em carteira registrada foi como Auxiliar de Produção, mais antes eu trabalhava de babá.

Entrevistadora: O que te levou a escolher essa profissão?

Josiane: Minha mãe sempre teve o sonho de ser professora, e eu cresci com esse sonho dela e que acabou se tornando o meu sonho também. E a língua espanhola era uma língua que eu sempre tive vontade de aprender.

Entrevistadora: E sua mãe é professora?

Josiane: Agora é. Depois de tantos anos ela está fazendo o magistério e se tornou professora esse ano.

Entrevistadora: Qual a profissão de seu pai?

Josiane: Meu pai é marceneiro.

Entrevistadora: Qual a dica para quem pretende seguir essa carreira?

Josiane: Para a carreira de Docente é preciso ter muita vontade, gostar muito, ter muita paciência, dedicação, gostar de ler, estudar bastante porque é um estudo infinito.

Entrevistadora: Como pode destacar seu diferencial?

Josiane: Creio que as atividades dinâmicas fora do livro didático ajudam bastante no incentivo aos estudos.

Entrevistadora: E atualmente, além do São Vicente de Paulo em que escola trabalha?

Josiane: No momento só no São Vicente.

Entrevistadora: Em relação à carreira, o que pretende para o futuro?

Josiane: Pretendo fazer Mestrado, continuar meus estudos e passar no concurso.

Entrevistadora: Como você imagina a educação no futuro?

Josiane: Eu acredito que no futuro tudo melhorará, devemos ter esperança que com certeza, depende de nosso esforço e da ajuda dos pais as coisas melhorarão. Então eu acredito que a educação no futuro estará bem melhor.

Entrevistadora: Quais as mudanças significativas vêm acontecendo na educação brasileira atualmente, em sua opinião?

Josiane: Eu creio que com o incentivo, cada vez mais, do governo a educação segue para um caminho mais justo e correto. É uma mudança significativa já estes programas. Também é muito importante o auxílio que os professores estão tendo, com materiais, com a ajuda da internet, mais também, o melhoramento de alguns livros didáticos poderá ajudar bastante. Os programas de universidade para jovens que não tem condições de pagar uma universidade particular é uma das mudanças que merecem destaque, o projeto jovem aprendiz também, pois para participar o jovem precisa estar estudando e ainda ter bom desempenho na escola.